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Exclusivo! Disciplina, humildade e paciência: Fabrício Oya na ESPN


Há exatos 109 anos, desembarcavam do navio Kasato Maru os primeiros 793 imigrantes vindo do Japão ao Brasil. Hoje, o país tem cerca de 1,6 milhão de descendentes de japoneses, incluindo Fabricio Rodrigues Oya, uma das maiores promessas das categorias do Corinthians.

Além do talento para bolas paradas e a técnica apurada, o meia chama atenção por suas características herdadas de sua origem familiar.

"Eu respeito muito os mais velhos e tenho disciplina. Quando me pedem algo eu vou lá e faço e não reclamo muito. Tenho educação típica dos japoneses e tenho foco. Isso tudo me ajuda demais no futebol. Sei o que quero e trabalho para isso", disse o jogador, ao ESPN.com.br.

Em 1936, o bisavô do garoto, Shinichi Oya, natural da ilha de Okinawa, chegou sozinho para trabalhar na lavoura no interior de São Paulo.

Somente depois que se estabeleceu no novo país, ele conseguiu trazer a esposa Ume e os filhos que ficaram na terra do "Sol Nascente". Mesmo após 109 anos e quatro gerações depois, as influências orientais ainda estão presentes na educação de Fabrício.

"Eu escuto mais os outros do que falo. Na minha educação sempre foi prezada muito isso, além da humildade. Não pode desprezar ninguém porque ninguém é maior do que ninguém. A cultura japonesa tem muito disso".

A família Oya mantém algumas tradições, como rezar pelos antepassados e a valorização os estudos.

"Minha mãe falava que se eu tirasse uma nota vermelha ela iria me tirar do Corinthians (risos). Eu acabei acreditando, tanto é que nunca tirei nota vermelha em boletim praticamente, era quase um nerd na escola (risos)", relatou.

Fabrício chegou a cursar educação física, mas por causa da rotina de atleta precisou parar a faculdade. "Eu tranquei o curso, mas vou voltar a estudar inglês que sou quase fluente. Talvez faça uma faculdade de ensino a distancia mais para frente", garantiu.

Sucesso entre os brasileiros, a culinária oriental é bastante apreciada pelo jogador.

"Sou apaixonado por comida japonesa, é a minha preferida. Adoro sushi, sashimi, temaki, etc... Quando minha família vem me visitar aqui nós vamos na Liberdade [bairro de São Paulo] passear. Gostamos de ir aos restaurantes e variar bastante.. Eu curto muito sushi e um doce típico japonês".

Fã do desenho animado japonês "Super Campeões", exibido pela TV Manchete nos anos 90. A série contava a história de Oliver Tsubasa, um garoto que sonhava em ser jogador de futebol e que chegou a atuar no Brasil.

"Eu era fã do Oliver Tsubasa, era o melhor de todos (risos). Também curtia assistir o Dragon Ball Z".

Um dos sonhos de Fabrício é ir para o local de onde sua família saiu. "Okinawa é um lugar lindo com praias e a água é transparente. É uma ilha que desejo muito conhecer".

SUCESSO NA BASE DO CORINTHIANS

Fabrício Oya é nascido em Campinas e começou a jogar futebol aos seis anos em uma escolinha Chute Inicial, que é propriedade de seu pai. Aos 12 anos, o garoto foi aprovado em um teste no Corinthians.

"Eu me mudei para São Paulo há três anos para morar coma minha tia que já estava aqui na Barra Funda. Depois, achei um lugar mais perto do clube para morar. Moro com mais dois meninos de Campinas e um deles é mais velho e já dirige. Ele dá carona para gente nos treinos e para voltar para casa também".

O meia fez sucesso nas equipes inferiores do Corinthians e empilhou um título após o outro.

"Eu tenho a sorte e agradeço muito aos meus companheiros que jogaram comigo porque já venci praticamente todos os títulos da base: Paulista, Brasileiro, Mundial, Copa São Paulo de futebol júnior, Copa BH e Copa do Brasil".

"Participamos também de torneios fora do Brasil e chegamos a enfrentar Barcelona, Arsenal, Real Madrid e PSV Eidhoven. Clubes de grande expressão. Foi uma experiência muito boa".

Fabrício segue a tradição de outro descendente japonês: Sergio Ichigo, que atuou na base do Corinthians nos anos 60 e ficou conhecido por inventar o drible elástico, imortalizado por Rivellino.

"O pessoal brinca muito aqui no Corinthians, e me chamam de Samurai (risos). Me chamam também de Kagawa e Nakamura (risos)".

Do veterano meia Shunsuke Nakamura, de 37 anos, que fez sucesso no futebol europeu , aliás, Fabrício guarda algumas semelhanças.

"Eu amo bola parada. Não lembro tanto dele jogando, mas vi vários vídeos dele na interne batendo na bola. Era impressionante a qualidade dele nas faltas. O diferente é que ele é canhoto e sou destro".

"Eu tenho visão de jogo boa e finalizo bem de curta e média distância. Eu tenho pensamento rápido, isso me ajuda muito. Estou tentando aprimorar essas características a cada dia".

O jovem, que tem contrato com multa rescisória de R$180 milhões, já treinou algumas vezes com a equipe principal de Parque São Jorge, mas ainda pertence ao time sub-20.

"Eu treinei nos profissionais essa semana. Estou numa transição ainda, tenho muita coisa pra ganhar e mostrar na base. Tenho só 17 anos e muita coisa para aprender. Ainda vou amadurecer", disse o jogador, que é empresariado por Wagner Ribeiro.

Apesar da paciência, o meia fã de Iniesta (Barcelona) e Isco (Real Madrid) sabe exatamente o que deseja para os próximos anos de carreira.

"Quero no futuro subir aos profissionais e vencer títulos para fazer história por aqui. Não vejo a hora de entrar na Arena de Itaquera com 40 mil torcedores gritando meu nome. Só depois penso sair para Europa. Além disso, sonho em jogar uma Copa do Mundo pela seleção brasileira".

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